Caixinha Mágica



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Lá no século passado, quando eu era criança e até quando não era tanto, tínhamos sete canais de TV aqui em São Paulo. Isso mesmo, apenas sete, todos em VHF – Very High Frequency. O Bombril era membro efetivo em muitas antenas internas, daquelas que a gente mexia, mexia e mexia e a imagem continuava ruim.
Passou o tempo e vieram os canais em UHF – Ultra High Frequency, mas que nunca foram de importância aqui na cidade de São Paulo. Lembrando que no interior, o UHF era presente e em cima dos aparelhos de TV era comum ver a caixinha receptora dessa frequência. A indústria de televisores aqui no Brasil nunca se preocuparam em produzir aparelhos com recepção em UHF.
O tempo passou, as coisas mudaram. Em 1990, surge a primeira TV por assinatura aqui em São Paulo, o Canal +, em UHF sinal codificado ou fechado. Um pouco mais tarde veio TV a cabo. Antes ainda, tivemos as antenas parabólicas, uma presença muito importante até hoje, nos rincões do país. Lembrando que o sistema de assinaturas atende por cabo e por satélite. Não existe mais em UHF.
Com a TV a cabo, o mundo vinha até nós. Canais estrangeiros, filmes, seriados, desenhos animados, esportes, música, enfim, tudo o que se possa imaginar começou a fazer parte dos nossos hábitos de ver TV.
Mas a TV a Cabo é paga e bem paga. Os pacotes completos custam caro, para os padrões de renda do brasileiro.  Quando eu comecei a fazer parte desse grupo, em 1996, a mensalidade da TV era de R$ 24,00. Isso mesmo, apenas 24 reais por mês. Claro, não havia internet ainda nos pacotes, nem o telefone e muito menos os canais a La carte, como o Premier Futebol Clube, que sozinho custa quase 100 reais.
Mas, e sempre tem um, o sucesso da TV por assinatura, acabou sendo comprometido pelas sucessivas crises econômicas, que ainda vivemos intensamente nestes dias.
Números do primeiro semestre mostram uma tendência de queda no número de assinantes desde o final de 2014. Entre maio de 2017 e o mesmo mês de 2018, as operadoras perderam 787.513 contratos, uma média de 2.157 clientes a menos por dia. Ainda sim em junho último apresentou seu primeiro mês de alta desde 2014. Números impulsionados provavelmente pela Copa do Mundo da Rússia.
Com o tempo a necessidade fez surgir o receptor “mágico”. Você compra um aparelho que permite que todos os canais da operadora fiquem disponíveis, independente do pacote que você possui. Nessa gambiarra de legalidade duvidosa o usuário precisa ter uma assinatura, mesmo que mínima, para que o sistema funcione. Mas se considerar o custo do aparelho, por volta de R$ 500 em relação ao custo de um pacote completo de TV, o investimento é pago em poucos meses. Mas há um problema. Não há essa opção para os decodificadores que recebem o sinal por fibra ótica.
Então, vem um sistema de recepção conhecido por IPTV – Interner Protocol Television. Leia os detalhes no link abaixo.
Nesse sistema de recepção é necessário que você tenha uma boa conexão de Internet, pelo menos 5Mb. Dependendo das listas que você adquirir mais de 600 canais de televisão, do mundo todo, podem ser acessados. Não é necessário qualquer pacote de TV. Apenas a internet.
O custo é baixo. É possível acessar por aplicativo - algumas smart TV, como a Samsung, possuem o acesso. Basta realizar o procedimento requerido e começar a usar. Além disso, há a possibilidade da compra dos aparelhos, as caixinha que permitem essa conexão.As listas são atualizadas com regularidade e há também alguns momentos em que alguns canais ou grupo de canais parem de ser transmitidos para manutenção. Não sei qual, mas é assim que funciona.
Um relatório sobre economia digital divulgado recentemente pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla em inglês) colocou o Brasil em quarto lugar no ranking mundial de usuários de internet ou 59% dos usuários conectados. É um bom número.
Vi muito pouco esse sistema funcionar para poder dizer se vale mesmo ou não. Mas uma coisa é certa, os valores e a situação econômica acabam levando o usuário a buscar alternativas para o alto custo das assinaturas.
O streaming está em pleno crescimento e agora surgem essas opções. Não afirmo que o futuro da TV por assinatura seja tão nebuloso quanto parece, mas com certeza, não será um lindo dia de sol.
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