Mordaça de sangue.
O assassinato do jornalista
saudita dentro do consulado de seu país em Istambul, na Turquia, , tem causado
espanto e revolta. Primeiro pelo fato em si. Depois, por ter ocorrido dentro de
um consulado, de uma representação oficial de um país o que acaba por elevar o
nível o evento.
Democracia e liberdade de imprensa, entre
outros direitos fundamentais, não constam do vocabulário dos governantes
sauditas. Mas o ato de violência impingindo ao Jornalista Jamal Khahoggi,
saudita e hoje, cidadão americano, colaborador do Washington Post é um fato que vem se
tornando comum a essa categoria profissional.
Existem dezenas, talvez centenas
de profissões de alto risco. Construção civil, limpador de janelas, vulcanólogo
, motorista de caminhão e por aí vai. Mas nesses e em outros casos os riscos são ligados diretamente a atividade
exercida.Os profissionais de imprensa que cobrem zonas de conflito ou se
aventuram em montanhas, mergulhos e coisas do gênero também entram nessa lista.
Mas no caso dos jornalistas há uma diferença: o risco causado pela
intolerância, pelo desrespeito as instituições e a ausência de liberdade de
expressão e do pleno exercício da profissão.
Muitas vezes a perseguição vem de
governantes outras, por organizações criminosas e por pessoas corruptas que se colocam
acima da lei. A soberba do silêncio.
Em países com descontrole social,
instituições frágeis onde organizações
criminosas acabam assumindo o lugar do Estado, entre outros motivos, a morte de
profissionais de imprensa passam a fazer parte do cotidiano.
Números
A ONG Internacional, Repórteres
sem Fronteiras*, divulgou, no primeiro semestre, alguns números relativos a
essa questão. Por exemplo: entre 2010 e 2017, foram mortos em nosso país 26
jornalistas, segundo posto da América Latina, perdendo apenas para o México que
registrou 52 casos. Em todo mundo, foram 1035 vítimas entre 2003 a 2017.
Democracia?
Parece que o mundo está mudando
para pior. Um estudo publicado em junho, pela Universidade de Gotemburgo, na
Suécia mostra que a democracia está em declínio em 24 países, Brasil no meio.
O estudo considerou diversos
aspectos das democracias e constatou o declínio das liberdades e direitos,
assim como a autonomia dos meios de comunicação, a liberdade de expressão e ao
estado de direito.
O EIU – Economist Intelligence
Unit, no ranking publicado no último mês de julho seu ranking anual que indicou
que existem apenas 19 democracias plenas no mundo. OU seja, menos de 10 por
cento de todos os países podem ser reconhecidas como “democracias completas”.
Tanto o estudo da Universidade de
Gotemburgo quando o ranking do EIU aponta para a mesma direção. Vivemos um momento
de retrocesso democrático.
Da, é possível entender o numero
de vítimas desse retrocesso e, no caso, daqueles que, como profissionais da
comunicação, tem sua liberdade de expressão combatida com sangue e não argumentos.
Quais os motivos desse desvio par uma perigosa radicalização
política que no passado nos levaram à guerra? Por que a democracia vem
cambaleando em muitos países? Quais os interesses e por que sociedades em todo
o mundo tem dado preferência aos que se mostram mais radicais, independente da
orientação ideológica? Quem pisou na
bola, como se diz por aí?
São muitas as perguntas e possivelmente, muitas respostas.
Mas e aí? Para os profissionais da comunicação, para jornalistas como eu aqui e
em todo mundo, qual será o futuro?
Nem à esquerda nem à direita e sim à liberdade. Uma coisa é
certa, não podemos viver com medo e continuar a fazes nossa parte.
Ninguém pretende que
a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a
pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas
de tempos em tempos.
*https://rsf.org/pt
https://istoe.com.br/democracia-vive-declinio-no-brasil-e-em-23-paisesdiz-estudo/
https://top10mais.org/paises-mais-democraticos/
https://www.msn.com/pt-br/noticias/fotos/pa%C3%ADses-mais-democr%C3%A1ticos-do-mundo/ss-AAADZtf#image=51

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