É fogo!
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Durante uma visita
aos Estados Unidos, em 2016 fiquei hospedado em uma cidade do estado da
Virginia, próxima a Washington D.C, chamada Manassas. Essa cidade de 35 mil
habitantes, foi um dos palcos da Guerra Civil Americana (1861-1865). Apesar do
seu tamanho, Manassas possui 17 pontos históricos para visita incluindo um pequeno
museu com uma exposição permanente contendo itens do período da guerra civil e
do dia a dia daquela população além de exposições temporárias relativas às
questões raciais e outra pertinentes ao período de conflito. Para aqueles
habitantes da cidade, sua história é muito importante e deve ser preservada.
Ontem, na
cidade do Rio de Janeiro, uma tragédia ocorreu. Mais uma! Um incêndio destruiu
o Museu Nacional, que neste ano completa 200 anos. Localizado na Quinta da Boa Vista,
o museu já foi residência da família real, no século XIX.
Um acervo de
mais de 20 milhões de itens que incluía o esqueleto fóssil mais antigo do país,
com 11 mil anos de idade, chamado Luzia.
Com
dificuldades financeiras, tendo suas verbas reduzidas de 500 mil reais, para
apenas 50 mil POR ANO, essa antiga casa, toda em madeira, sem estrutura para a parafernália
elétrica moderna. Tinha problemas com goteiras, insetos, morcegos, “gatos” de
eletricidade e por ai vai. Não foi por falta de aviso.
Um país sem
memória tem um futuro sombrio. Quantos milhões são gastos todos os anos em
futilidades, corrupção, obras de interesse duvidoso, má administração, desvios
de verbas etc etc etc.
Quanto a Caixa
Econômica Federal gasta em publicidade nas camisas de diversos clubes de
futebol pelo país todo? Quanto as fundações ligadas a grandes empresas gastam
em cultura apenas para marketing? Nos planos de governo dos candidatos a
presidência ou aos governos dos estados, há menção sobre a preservação de nossa
memória? Investimentos em cultura, pesquisa histórica?
Eu conheço
todos os museus de São Paulo. Nunca fiz por obrigação, mas por gosto pela
história e pela arte. Fui ao Museu Paulista (Museu do Ipiranga) algumas vezes,
desde criança. Esse museu, a propósito, está fechado para reforma desde 2013 e
deverá ser aberto apenas em 2022, ano do bi centenário da independência. São nove
anos de reforma. Um verdadeiro absurdo. O museu foi fechado às pressas, em
agosto de 2013, pois havia perigo de desabamento do teto. Isso mesmo, no estado
mais rico da federação, seu principal museu estava largado, quase que
abandonado. Vale lembrar que o Museu Paulista é ligado a Universidade de São
Paulo – USP, assim como o Museu Nacional, destruído ontem, é ligado a
Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.
Tive
oportunidade de conhecer outros museus fora do Brasil, como o Museu do
Vaticano, em Roma e o Uffizi em Florença.
Conheci também o MET (Metropolitan Museum of Art), o Museu de História Natural,
ambos em Nova Iorque e outros pontos históricos tanto nos Estados Unidos, na
Itália e aqui no Brasil.
Nem todos tem a oportunidade de viajar ao
exterior e conhecer os mais importantes museus do mundo e lugares históricos. Mas
não poder conhecer seus próprios museus, seja por que motivo for, até mesmo por não saber que existem é mais um
sinal da decadência econômica, moral e social de nosso país.
Não podemos esquecer dos incendios do Museu da Língua Portuguesa, em 2015 e da Cinemateca Brasileira, em 2016.
Não podemos esquecer dos incendios do Museu da Língua Portuguesa, em 2015 e da Cinemateca Brasileira, em 2016.
Com esses incêndios, perdemos parte de nossa
memória. Desprezo pelo nosso passado, desprezo pelo nosso futuro.
Como diria
Boris Casoy, É UMA VERGONHA!

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